Como um testemunho da trajetória intelectual do cearense Kaciano Gadelha, o livro “O Tremor dos Vivos” foi organizado contendo textos críticos, ensaios e artigos científicos. A obra póstuma do crítico de arte foi publicada pela LAC Editora, uma ramificação do Laboratório de Arte Contemporânea (LAC), e terá lançamento no dia 16 de dezembro.
O evento será realizado na Escola Porto Iracema das Artes, na Praia de Iracema, em Fortaleza. Além disso, contará com um debate entre o curador Lucas Dilacerda, o artista Rodrigo Lopes e o professor multidisciplinar Juliano Gadelha, irmão de Kaciano.
Legenda:
Foto:
Kaciano Gadelha tem uma escrita sensível e profunda.
Divulgação/LAC Editora.
No livro, Kaciano levanta diversas reflexões sobre a arte contemporânea brasileira, nordestina e cearense. Sua perspectiva é atravessada pela decolonialidade, ou seja, por pensamentos que buscam questionar o legado do colonialismo.
“Impossível olhar para a arte contemporânea nas Américas e especificamente no Brasil, sem ignorar a moradia que habitamos, morada invadida, compartilhada desigualmente, maculada pela violência”.
A partir dessa outra produção de saber, Kaciano vai costurando sua escrita. Em capítulos como “A Nordeste, apenas”, o texto é embebido por beleza e poesia.
“Ouvia o barulho do mar de casa e a sua profundeza vibrava em meu inconsciente enquanto dormia. Do quintal da casa da minha avó paterna, no Pirambu, em Fortaleza, dava para ver o mar, sentir o seu cheiro”, escreveu.
Livro ‘O Tremor dos Vivos’
O livro foi organizado por Rodrigo Lopes, com curadoria e editoração de Lucas Dilacerda. A pesquisa contou com o trabalho de Wes Viana, enquanto Juliano Gadelha ficou responsável pela direção criativa.
Dentre os textos presentes em “O Tremor dos Vivos”, estão:
- Epistemologias negras: Corpo, Trauma e Memória;
- Corpolítica: Errâncias poéticas descolonizando roteiros;
- Ocuprobarão: Revirando o arquivo colonial e transformando suas fantasias;
- Preta Kuir e Homo/Lesbo/Afetividdes: Raça, gênero e outras dissidências em performance;
- Notas de um Arquivo Queer;
- Da sensação à desmaterialização: máquinas de influência e as estéticas da diferença sexual;
- A cor e o tempo;
- O som da negridade em apeshi;
- A Nordeste, apenas.
A obra ainda conta com um texto escrito pelo irmão de Kaciano, Juliano Gadelha, em que aborda a trajetória do pesquisador; e uma carta de Lucas Dilacerda e Rodrigo Lopes para o autor.
Veja também
Quem foi Kaciano Gadelha?
O cearense Kaciano Gadelha foi um curador e pesquisador do campo da arte e da sociologia, estudando principalmente gênero, sexualidade e raça. Em 1999, ingressou no curso de Psicologia, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Seu mestrado foi realizado na área de Sociologia, na mesma instituição.
Nos anos seguintes atuou como professor substituto e colaborador na graduação em Ciências Sociais da UFC. Em 2010, começou o doutorado na área de Sociologia, na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha. Entre março e julho de 2016, ministrou a disciplina “Tópicos Especiais IV” no Programa de Pós-Graduação em Artes do Instituto de Cultura e Arte (ICA) da UFC.
Ao longo de sua trajetória, Kaciano se consagrou como um dos intelectuais mais importantes da história da arte e da cultura de Fortaleza. Ele faleceu no dia 9 de dezembro de 2021.
Lançamento da LAC Editora
O livro é o primeiro lançamento da LAC Editora, fundada neste ano, que busca publicar obras que exercitem o pensamento crítico em arte contemporânea.
“A nossa proposta é intervir nas estruturas hegemônicas e semear novas formas de pensar e fazer arte no contemporâneo”, detalharam os organizadores Lucas Dilacerda e Rodrigo Lopes, em texto escrito com coautoria.
Serviço
Livro “O Tremor dos Vivos”
Quanto: Distribuição Gratuita
Onde adquirir: Entrega será realizada na Escola Porto Iracema das Artes, durante lançamento
Mais informações: @lac.contemporanea